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Emanuel Correia

Country Manager da ACCIONA em Portugal

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“Investigação e inovação” essenciais “para tornar a dessalinização uma alternativa cada vez mais sustentável”

“A ACCIONA é uma empresa com enorme experiência em dessalinização por osmose inversa. Foi das primeiras empresas, há cerca de 30 anos, a aplicar este tipo de tecnologia para produzir água potável a partir de água salgada e de água salobra.” Falámos com Emanuel Correia, Country Manager da ACCIONA em Portugal sobre desafios tecnológicos, eficiência energética e os atuais projetos da empresa, entre outros temas. 

Nos últimos anos, as situações de seca severa e extrema têm sido cada vez mais habituais em Portugal continental, assim como em muitas outras partes do mundo. Neste contexto, podemos afirmar que a água é o recurso mais afetado pelas alterações climáticas? Jorge Cardoso (JC): Globalmente, têm sido diversos os alertas sobre a “crise da água”. Uma evolução não planeada, uma gestão não adaptativa e um contexto desfavorável, poderão acentuar o desequilíbrio entre necessidades (procura) e disponibilidades (oferta), aumentando a pressão sobre os recursos e precipitando uma “crise da água” em Portugal, na Europa e no Mundo. A gestão da água, recurso particularmente vulnerável em contexto de adaptação climática, deverá assentar numa visão integrada, considerando desafios ambientais, demográficos, sociais, económicos, territoriais e climáticos. Com a crescente escassez de água, importa promover uma utilização eficiente a todos os níveis. Na sua opinião, os consumidores portugueses estão sensibilizados e fazem um uso adequado deste recurso? O que pode e deve ser feito para melhorar? JC: Por vezes, apenas em cenários de escassez se reconhece o “valor da água”. Quantas vezes abrimos a torneira e não tivemos água? Portugal está globalmente infraestruturado com redes de abastecimento de água e a percentagem de água segura em Portugal Continental é de cerca de 99%, considerado um valor de excelência: sabemos quanto vale esse acesso a água segura, em termos de saúde pública, de igualdade e de justiça? Existe a necessidade de repensar a forma como usamos a água e de promover a “educação para água”. A redução do consumo de água nas habitações tem uma componente comportamental e outra infraestrutural. Poderá passar pelas nossas escolhas e pela adequação dos nossos hábitos, com pequenos cuidados no nosso quotidiano. Nos sistemas prediais de distribuição de água, deverá procurar-se combater as ineficiências hídricas e energéticas, adequar os sistemas construídos, reduzir o consumo de água potável e escolher equipamentos tendo em conta a sua eficiência hídrica. No atual cenário, acha que os recursos hídricos disponíveis são suficientes para garantir a sustentabilidade do nosso sistema de abastecimento de água e fazer face às necessidades? JC: Em Portugal, à exceção de situações pontuais, o abastecimento urbano encontra-se estruturado e existem infraestruturas que, sendo geridas de forma robusta, asseguram que a seca não chega às nossas torneiras. No entanto, existe a necessidade de repensar a forma como usamos a água e de promover a “educação para a água”. As mensagens “viver com menos água” e “viver com outra água” (não potável para usos compatíveis) deverão chegar às pessoas. A estratégia poderá passar por repensar a forma como usamos a água (preservar o recurso a partir da nossa torneira), por reduzir as perdas de água nos sistemas urbanos, na indústria e na agricultura e por reutilizar as águas residuais para fins não potáveis, por aproveitar as águas pluviais e/ou promover a sua infiltração, por explorar e apostar (com viabilidade económica e ambiental) em novas origens (por exemplo, o mar), por encurtar as cadeias de abastecimento (produzir e consumir localmente), e por planear, colocando na equação a “bomba relógio” da não renovação de infraestruturas hidráulicas que começam a atingir o seu tempo de vida. Fala-se cada vez mais em reaproveitamento, que em Portugal ainda não é muito comum. O que falta fazer para que consigamos regenerar e reutilizar toda a água? JC: O contexto atual torna necessária uma mudança de mentalidade em relação ao uso da água, que deverá ser uma prioridade e uma aposta assertiva dos diferentes decisores e intervenientes. Vamos continuar a utilizar água potável para fins não potáveis? A regar com a mesma água que bebemos? A ter autoclismos alimentados por água potável? A lavar as ruas com a mesma água que abastece as nossas casas? Nas redes prediais, a aposta poderá passar por sistemas de aproveitamento de águas pluviais e cinzentas, através da recolha diferenciada, tratamento e reutilização de águas residuais cinzentas, e da retenção e aproveitamento de águas pluviais. Estas soluções de controlo na origem possibilitam a redução de volumes afluentes às redes de drenagem e aos sistemas de tratamento de águas residuais, com ganhos energéticos e de processo (por exemplo, regentes). Nas redes públicas, a utilização de águas residuais tratadas e o aproveitamento de águas pluviais, promovendo uma lógica circular e de combate a ineficiências energéticas, são apostas em “novas origens” que se enquadram na mensagem “viver com outra água”. A reutilização de água para lavagem de arruamentos/equipamentos, para regas e para alimentar redes diferenciadas de água não potável são caminhos a percorrer. A tecnologia pode ter um papel importante numa gestão mais eficaz dos recursos disponíveis. Quais os desafios que enfrenta Portugal neste campo? JC: A gestão musculada dos serviços de águas, em particular do abastecimento público, deverá incorporar uma visão holística e integrada, que atenda aos desafios de eficácia, de eficiência hídrica e energética, de robustez e de segurança. A tecnologia é crucial para facultar as ferramentas necessárias para o desenho e operacionalização de medidas. As medidas a implementar necessitam de suporte técnico, de investimento na reabilitação e reforço de infraestruturas, da aposta em inovação e tecnologia, e do envolvimento e compromisso de todos: instituições, entidades gestoras de serviços de águas e consumidores. Em relação a novos desafios, posso destacar o caso específico da produção de energia nos sistemas de abastecimento de água (hidrogeração). Materializada pela instalação de microturbinas nas condutas de água, esta solução possibilita a recuperação dos desníveis energéticos em sistemas de abastecimento de água para produção de “energia elétrica limpa”, sem consumo de recursos e utilizando um sistema produtor onde parte das componentes já se encontram instaladas. Necessita-se apenas de as adaptar para a produção de eletricidade, sem prejudicar a sua função principal (transporte de água), que continua assegurada. Que novidades tecnológicas têm influenciado a gestão das águas residuais? JC: Na gestão das águas residuais, em particular nos sistemas construídos e em constante envelhecimento, destaco tecnologias associadas à monitorização (caudais, volumes, qualidade da água, precipitação), ao controlo (afluências indevidas, descargas não programadas) e ao tratamento de dados, bem como as evoluções tecnológicas associadas às inovadoras análises preditivas. Da perspetiva das “novas” soluções circulares, refiro as tecnologias associadas a soluções de controlo na origem (reutilização de águas cinzentas e aproveitamento de águas pluviais nas redes prediais), ao processo de tratamento (por exemplo, MBR), à valorização de lamas, e à produção de energia nos sistemas de drenagem e nas ETAR. A Inteligência Artificial (IA) está a trazer novos desafios, mas também muitas possibilidades e soluções. De que forma julga que a IA pode influenciar nesta gestão? JC: A gestão otimizada de infraestruturas hidráulicas e o incremento da eficiência hídrica e energética encontram-se particularmente relacionados com a informação. A evolução tecnológica dos sistemas de monitorização e controlo das infraestruturas (redes, equipamentos, elementos acessórios) tem inerente uma elevada quantidade de dados (big data), gerados de forma automática e contínua. A Inteligência Artificial poderá ter um papel importante no tratamento de dados e na sua conversão em informação útil à tomada de decisão, tornando-a menos reativa e mais sustentada. A implementação de procedimentos padronizados para antecipar/detetar eventos que perturbem o normal funcionamento dos sistemas, recorrendo a IA poderá tornar os sistemas mais robustos e seguros. Olhemos para a forma como a água é encarada a nível dos mercados. Como vê a negociação da água como commodity, com cotação em bolsa? JC: A água, essencial à vida e “o princípio de todas as coisas”, tem um valor económico – permitindo o desenvolvimento de diversas atividades económicas (por exemplo, agricultura, produção de energia, indústria e turismo), ambiental – assegurando a existência dos ecossistemas, e social – sendo fundamental para as pessoas, para a saúde pública e para a igualdade. Por isso, a sua gestão deverá ser criteriosa e pautar-se por metas de eficiência exigentes e ambiciosas. Quando estamos longe de “garantir a disponibilidade e a gestão sustentável da água potável e do saneamento para todos” (Objetivo do Desenvolvimento Sustentável da ONU), penso que a perspetiva de um mundo cooperativo deve procurar responder a questões relacionadas com a universalidade, com a acessibilidade e com a igualdade no acesso a água segura. Quão distantes estão as mulheres e crianças que gastam horas do seu dia para ter acesso à água (muitas vezes sem qualidade)? Esta e outras questões colocam a discussão mais no plano do “direito à água” e menos no da “negociação da água”. A Associação Portuguesa de Recursos Hídricos (APRH) funciona como uma plataforma científica e técnica para muitos profissionais do setor dos recursos hídricos. Fale-nos um pouco dos seus objetivos e das atividades que desenvolve. JC: A Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos é uma associação científica e técnica, sem fins lucrativos, que conta com mais de 45 anos de história. Ao longo dos anos, a APRH tem sido um ponto de encontro para profissionais de diversas formações e campos de atividade, procurando estar próxima da sociedade civil, contribuir para disseminação de conhecimento e apoiar a gestão dos Recursos Hídricos. Os objetivos estatutários da APRH são: • A promoção do progresso do conhecimento e a discussão dos problemas relativos aos recursos hídricos nos domínios do planeamento, da gestão, do desenvolvimento, da administração, da ciência, da tecnologia, da investigação e do ensino; • A dinamização e o apoio a iniciativas que contribuam para a cooperação e para o diálogo entre os diferentes intervenientes, com vista à resolução dos problemas existentes no domínio dos recursos hídricos; • A participação em ações de divulgação dos princípios fundamentais de uma política adequada à gestão dos recursos hídricos; • A colaboração com associações congéneres e a dinamização da participação portuguesa em programas internacionais, no domínio dos recursos hídricos com interesse para o país. Enquanto plataforma de profissionais e de conhecimento, têm certamente uma palavra a dizer sobre as atuais políticas para o setor. Que medidas regulamentares ou legislativas advogam? JC: Os objetivos estatutários da APRH evidenciam a mobilização da associação para contribuir para disseminação de conhecimento e para apoiar a gestão dos Recursos Hídricos, nas diversas dimensões (sociais, ambientais e económicas) da governança da água, segundo uma abordagem holística e integrada. Portugal, Estado-Membro da União Europeia, dispõe de legislação, regulamentação e planos estratégicos robustos. Abordando o exemplo do Plano Nacional de Uso Eficiente da Água (PNUEA), este inclui um conjunto de medidas estruturadas para diferentes cenários de escassez hídrica, que permitem preparar uma resposta em contexto de seca. Destacaria a necessidade de operacionalizar o plano, traduzindo-o em medidas práticas e de implementação eficaz na redução dos consumos de água e no combate às perdas/ineficiências. Certamente que as vossas propostas congregam o pensamento de quem representam. Quem são e qual o perfil dos vossos associados? JC: A APRH é uma associação científica e técnica cuja atuação se pauta pelo rigor, pela independência, pela diversidade de pensamento e pela pluralidade dos seus associados individuais (profissionais de diversas formações e campos de atividade) e coletivos (instituições, empresas, institutos, câmaras municipais). Quais são as principais preocupações dos vossos associados que gostaria de realçar? JC: A APRH procura estar próxima dos seus associados e, envolvendo-os, contribuir de forma construtiva para a gestão dos recursos hídricos. Neste contexto, poderá desempenhar um importante papel na discussão dos desafios globais (adaptação climática, escassez de água, acesso a água segura), na promoção de ações relacionadas com a gestão do ambiente e dos recursos hídricos, e na reflexão segundo uma lógica integrada e circular. A APRH vai estar presente na ENERH2O 2023, em setembro. Como será a vossa participação? JC: A APRH terá o gosto de estar presente na ENERH2O 2023, promovendo uma sessão intitulada “Água: que futuro?”, com um keynote speaker e uma mesa-redonda com diversos oradores convidados. Nesta sessão, pretende-se debater diversos temas relacionados com o futuro da Água, nomeadamente adaptação climática, resposta a eventos extremos, gestão da escassez de água, inovação, desenvolvimento e tecnologia na gestão dos recursos hídricos. A associação terá ainda um espaço (stand) onde será possível conhecer os seus projetos, estabelecer contactos e explorar sinergias. De que forma eventos como a ENERH2O são necessários e podem contribuir para o setor? JC: A capacitação do setor da água, através da realização de eventos como a ENERH2O, contribuem para a divulgação de informação, para a reflexão e para a discussão sobre os assuntos de atualidade nos diferentes domínios da água, contribuindo ativamente para promoção do conhecimento técnico-científico e para a aproximação dos diferentes stakeholders.

Guillermo Donézar

Head of Distribution Southern Europe da Sungrow

“Vejo um futuro muito promissor para a energia solar no setor residencial”

A Sungrow oferece uma solução completa na área residencial, que combina produção e
armazenamento de energia. Guillermo Donézar, Head of Distribution Southern Europe da
empresa fala-nos do sucesso das suas soluções, da importância dos incentivos no
encorajamento dos sistemas fotovoltaicos e do futuro da energia solar para o nicho
residencial.

Que inovações tecnológicas oferece a Sungrow no domínio do armazenamento de energia solar residencial? Guillermo Donézar (GD): Na área residencial, oferecemos uma solução completa que combina produção e armazenamento de energia. A nossa solução híbrida é composta por um inversor, que pode ser monofásico ou trifásico, e por uma bateria modular. Dependendo de se tratar de um sistema monofásico ou trifásico, a bateria pode acomodar entre 2 e 6 módulos ou entre 3 e 8 módulos, respetivamente. Isto proporciona uma grande flexibilidade no desenho do sistema. Além disso, a instalação da bateria é extremamente simples, uma vez que os módulos são rapidamente ligados sem necessidade de cablagem interna. É tão fácil como montar peças de Lego. Esta facilidade de instalação e colocação em funcionamento só é igualada pelas impressionantes caraterísticas técnicas da bateria, como a sua capacidade de carga e descarga de 30 A. Qual é o tempo de vida útil das baterias utilizadas para o armazenamento de energia solar? E de que baterias se tratam? GD: As nossas baterias são de alta tensão e utilizam a tecnologia LFP. Cada módulo tem uma capacidade de 3,2 kWh e pesa apenas 33 kg. Numa instalação monofásica com uma única bateria Sungrow, é possível armazenar até 19,2 kWh de energia. Além disso, tanto a bateria como o sistema híbrido têm uma garantia de 10 anos. Acha que os subsídios recebidos pelos proprietários portugueses estão a impulsionar os investimentos em energia solar no setor residencial? GD: Os incentivos são certamente um fator importante para encorajar o investimento em sistemas fotovoltaicos. No caso de Portugal, existe um nível mais elevado de apoio financeiro para instalações fotovoltaicas que incorporem sistemas de armazenamento de energia, o que reflete claramente a direção em que o país está a concentrar os seus esforços. Com a combinação destes incentivos, é possível cobrir até 20% do custo total da instalação. Porque aconselharia um proprietário a investir em energia solar? GD: A poupança significativa na fatura da eletricidade é certamente uma das principais razões para considerar a instalação de um sistema fotovoltaico. No entanto, não é o único benefício. Destacam-se também a redução das emissões de CO2, a autonomia energética, a segurança contra falhas de energia, graças ao sistema de armazenamento e backup, bem como a possível valorização do imóvel. Todos estes são fatores importantes a considerar quando se toma a decisão de investir em energia solar. Uma das inovações mais bem sucedidas da Sungrow é o "inversor híbrido". Pode explicar-nos brevemente o que é e porque têm tanto sucesso? GD: Os inversores híbridos são dispositivos que oferecem a possibilidade de serem ligados a baterias. No nosso caso, o seu sucesso deve-se em grande parte ao facto de fazerem parte de uma solução integrada altamente compatível. Como já foi referido, as nossas soluções híbridas incluem um inversor e uma bateria, mas também são perfeitamente compatíveis com carregadores de veículos elétricos e bombas de calor. O destaque dos nossos inversores híbridos é o facto de incorporarem um sistema de backup integrado. Isto significa que não haverá perda de eletricidade em caso de falha de energia, desde que haja produção de energia ou energia armazenada disponível. Além disso, a transição para o modo de backup ocorre em apenas 10 milissegundos, garantindo uma continuidade eficiente e praticamente instantânea do fornecimento de energia. Como vê o futuro da energia solar no setor residencial? GD: Vejo um futuro muito promissor para a energia solar no setor residencial, e há várias razões que sustentam esta perspetiva. Nos últimos anos, os custos de instalação dos painéis solares diminuíram significativamente. Isto torna a energia solar mais acessível aos proprietários e melhora o retorno do investimento ao longo do tempo. Além disso, muitos governos oferecem incentivos fiscais e programas de subsídios para encorajar a sua adoção. A transição para um cabaz energético mais sustentável e a crescente consciência ambiental estão a apoiar a adoção da energia solar nas habitações em todo o mundo.

Sergio Layunta

Responsável pela divisão solar da Salicru

"Há que acelerar os pagamentos do Next Generation, porque o custo é suportado pelo cliente ou pelo instalador”

É responsável pela divisão solar da SALICRU, fabricante de eletrónica de potência, há quase 60 anos. Coordena a equipa comercial e técnica do grupo de soluções solares com mais de 15 anos de experiência no setor fotovoltaico. Anteriormente, foi sócio-gerente e diretor técnico da Plan Solar, nas delegações de Barcelona e de Marrocos, e também diretor da Kauser Eco, com experiência prévia em gestão de projetos, importações e estudos de soluções solares à medida.

Qual é a sua opinião sobre o estado atual do setor fotovoltaico? Sergio Layunta (SL): A energia solar é um setor que depende de vários fatores e pode sofrer alterações rapidamente. Um deles é a geopolítica, que pode ter um impacto significativo no mercado. Tivemos problemas de abastecimento e um aumento de preços no ano passado, que afetou a indústria em geral; um aumento de preços que surpreendeu toda a gente e, embora pensássemos que as instalações solares fotovoltaicas continuariam a crescer como nos anos anteriores, este ano assistimos a uma diminuição das vendas em geral. Quais os principais fatores que influenciaram este declínio? (SL): No ano passado, vivemos situações inesperadas. Os conflitos bélicos aumentaram os preços da eletricidade e também dificultaram o fornecimento de componentes. Além disso, os subsídios à produção de energia renovável na Europa incentivaram as instalações fotovoltaicas. Este ano, registaram-se mudanças notáveis, com os preços da energia a descerem relativamente ao período anterior ao conflito, embora não ao mesmo nível. Além disso, as expetativas em matéria de subvenções à produção de eletricidade não foram, por vezes, plenamente satisfeitas, uma vez que os pagamentos são frequentemente atrasados e os fundos são rapidamente esgotados. Os pagamentos do Next Generation têm de ser acelerados, porque o custo é, em última análise, suportado pelo cliente ou pelo instalador. Esta situação provoca uma deceção nos utilizadores, que esperavam beneficiar destes subsídios. Verificou-se também um aumento das taxas de juro, o que afetou as instalações que dependem fortemente do financiamento. Fale-nos das principais caraterísticas dos inversores solares. (SL): Procurámos um aspeto que se ajuste a todas as paredes e preferências, pois a cor é muito neutra e adapta-se a qualquer instalação. Toda a gama inclui um ecrã OLED, de leitura clara, que nos fornece todos os dados da instalação, sem necessidade de consultar um smartphone ou uma página Internet. Os nossos instaladores apreciam particularmente este facto e temos a filosofia de pensar neles. Outra vantagem de ter um ecrã incorporado é a possibilidade de testar o produto. Numa primeira utilização, ao fornecer-lhe corrente contínua, é possível verificar as tensões em cada entrada, em cada cadeia, em cada MPPT. Isto proporciona tranquilidade, tanto para o cliente final, como para o instalador, ao garantir que tudo está correto, antes de iniciar a parte da corrente alternada. Além disso, os nossos inversores de ligação à rede podem arrancar com tensões muito baixas, entre 80 e 100 volts, consoante o modelo. Isto permite-nos tirar partido de mais horas de sol ao longo do dia, o que se traduz numa maior produção de energia. Outra diferença importante é o nosso próprio serviço técnico Salicru, que nos permite atender diretamente os nossos clientes. Isto é muito valorizado no setor, pois alguns precisam de mais ajuda do que outros, devido ao rápido crescimento da indústria. Mudar de marca pode ser um desafio, por isso é essencial ter um serviço de apoio ao cliente que possa resolver todas as dúvidas. Pré-venda e pós venda... (SL): O nosso departamento de Serviços é um dos departamentos que mais cresceu nos últimos anos, juntamente com o de Conectividade. Como temos mais instalações em funcionamento, precisamos de mais pessoal para oferecer o mesmo nível de serviço. Existe uma área dedicada aos inversores solares, onde os clientes podem solicitar serviços como a colocação em funcionamento de forma acompanhada. Demos também um passo em frente e lançaremos em breve uma aplicação que permitirá aos clientes comunicar diretamente connosco através da realidade virtual. Será algo muito original e novo no mercado, que nos permitirá prestar um serviço mais personalizado e eficiente. Enquanto empresa familiar que se transformou numa PME e, posteriormente, numa grande empresa, temos origens claras: envolvermo-nos com os nossos clientes, para que o produto corresponda às suas expetativas e valorizar o feedback que recebemos deles. Fale-nos da diferença entre os sistemas on-grid e os sistemas híbridos. (SL): Os dispositivos on grid são inversores de ligação à rede que não criam a sua própria rede independente, mas funcionam em simultâneo com a rede elétrica local. Quando há uma falha de energia ou de rede, estes inversores de ligação à rede deixam de gerar energia, uma vez que estão completamente dependentes da rede para funcionar. São aquilo a que podemos chamar geradores diretos. Os híbridos, por seu lado, têm a capacidade de combinar várias fontes de energia, como a rede, a bateria e a energia solar fotovoltaica. A principal diferença é que os inversores híbridos podem gerir baterias e criar a sua própria rede. Os nossos inversores híbridos podem funcionar tanto em instalações ligadas à rede, como fora da rede. A capacidade de criar a sua própria rede independente é uma caraterística fundamental dos híbridos Equinox. Além disso, têm frequentemente um backup incorporado que garante o fornecimento de energia em caso de falha da rede. Esta saída de carga crítica é completamente independente e o inversor efetua a comutação interna necessária, para garantir que não é fornecida energia à rede durante uma falha. No caso dos nossos inversores, para além da reserva integrada, esta pode ser de 100% de saída da mesma potência nominal do inversor (reserva total). De que forma os inversores se adaptam aos diferentes tipos de instalações solares? (SL): Fomos muito ambiciosos na nossa gama de produtos, o que permite adaptarmo-nos a uma grande variedade de instalações solares. Temos pequenos inversores com uma capacidade de 2 quilowatts até inversores com 100 quilowatts. Isto significa que dispomos de uma gama muito ampla de produtos que se adaptam a qualquer tipo de instalação e aplicação, seja ela residencial, comercial ou industrial - ou parques fotovoltaicos até 5 MW. Há algumas semanas, instalámos 160 inversores em Cartagena, numa central solar de 2 MW. Existem mais projetos em que foram utilizados inversores solares Salicru? (SL): Os nossos inversores solares desempenharam um papel fundamental em explorações agrícolas que tinham problemas de harmónicos na sua rede elétrica. Graças ao gestor energético Energy Manager, um produto recente no mercado, conseguimos resolvê-los, gerindo a energia reativa e evitando encargos adicionais. Uma empresa vidreira, em Almeria, decidiu substituir os inversores de um concorrente - uma grande marca internacional - e multiplicar a sua produção. Atualmente, produz 1MW de energia para si própria com o nosso equipamento. Outra empresa, esta de impressão, com os seus telhados, atinge uma instalação de 0,5MW. E todos os dados energéticos podem ser visualizados numa aplicação? (SL): Temos a nossa própria aplicação, chamada Equinox, que é muito importante para nós: o nosso departamento de desenvolvimento de software trabalha na conectividade de todos os nossos equipamentos, com especial incidência nos inversores solares. As pessoas querem ver a quantidade de energia que geram, quanto poupam e com quanta energia alimentam a rede. De facto, há clientes que passam mais de uma hora por dia a olhar para a aplicação. Pelo menos durante os primeiros meses. Assim, a aplicação permite visualizar a instalação e obter dados pormenorizados. E lançámos também uma nova versão Internet, que permite aos utilizadores profissionais visualizar gráficos detalhados da instalação, incluindo temperaturas, tensões, correntes, alarmes, etc., para oferecer um serviço mais profissional aos clientes finais. Ao contrário de outras marcas, gostamos de ter o controlo dos dados dos nossos clientes e garantimos que estes dados não saem do território, respeitando as normas de privacidade. Para concluir, vão continuar a existir “nuvens” num futuro próximo? (SL): (risos) Não, sempre com otimismo! O setor fotovoltaico mantém uma perspetiva de crescimento elevada para o futuro imediato, mas também a médio prazo. E esperamos uma normalização, após algumas incertezas económicas e jurídicas, até mesmo um possível boom no setor, que está em constante evolução.

Pedro Lima

CEO da SolarShop

“O que nos tornou líderes de mercado foi (…) apenas trabalharmos com marcas de qualidade comprovada”

Segundo Pedro Lima, CEO da SolarShop, “será muito difícil a substituição da energia
fóssil nos processos industriais a médio prazo”. Em entrevista, falámos o setor, os
desafios atuais, as metas para o futuro e como a SolarShop se tornou uma das empresas
líderes no mercado português de energia solar.

Gostaríamos de começar por conhecer a sua opinião sobre os fundos europeus New Generation. Considera que estão a ajudar a promover os investimentos em energia solar no setor residencial nacional? Pedro Lima (PL): Sim, sem qualquer tipo de dúvida, que os fundos europeus estão a acelerar o ritmo de crescimento do número de sistemas solares em ambiente residencial. Todavia, ao mesmo tempo está a criar um desperdício gigante de fundos, pois distorcem completamente a realidade e necessidades do mercado, mas vamos por pontos:  1. Ao ser financiado, os utilizadores finais acabam por instalar, geralmente, sistemas de muito maior capacidade do que realmente necessitam, não promovendo assim, um uso racional de recursos.  2. Geram muita variabilidade na procura, e danos imensos aos instaladores do ramo residencial. Como os apoios possuem janelas temporais definidas, existem muitos meses com equipas paradas, havendo mesmo encerramento de empresas instaladoras, seguidos de alguns meses incessantes e extremamente cansativos para os instaladores, prejudicando mesmo a qualidade da instalação. Ao mesmo tempo, gera variações gigantes de preços: em períodos não subsidiados, para sobrevivência e conseguirem ter as equipas com algum trabalho, são praticados preços muito baixos, próximos do preço de custo. Em períodos subsidiados, os preços são exagerados, porque a procura de instalações é maior do que a capacidade de instalação.  3. Por último, é muito importante lembrarmo nos, de que todos os fundos estatais ou europeus, têm origem em impostos aos contribuintes, ou em forma de inflação, nada é “grátis”. A indústria solar europeia é praticamente inexistente, Mais de 90% dos módulos fotovoltaicos e inversores, são oriundos da Ásia, especialmente da China, ou seja, nós, contribuintes europeus, estamos a financiar indiretamente a China e a sua indústria. A nosso ver, isto é extremamente preocupante. Os governantes querem pôr um ponto final na dependência dos países exportadores de petróleo e gás natural, mas estamos a tornar-nos extremamente dependentes de um único país, num período de extrema tensão geopolítica a nível mundial. Seria muito mais produtivo, especialmente a longo prazo, não existirem estes subsídios à instalação, mas sim, incentivos à criação de uma indústria solar europeia, a nível de alívio ou incentivos fiscais, como a redução de burocracia e entraves, que são transversais a todas as empresas em Portugal e UE. Gerava-se valor, riqueza, know-how tecnológico e empregos, que são urgentemente necessários para a Europa. A SolarShop é beneficiada com este aumento (subsidiado de vendas), mas a nível pessoal, estamos preocupados, e preferíamos vender menos, mas ver a indústria europeia renascer, isto sim, seria sustentável no futuro.  O custo dos materiais baixou imenso nos últimos seis anos, pelo que a existência destes apoios diretos não tem qualquer sentido, o tempo de retorno de investimento não subsidiado já é extremamente reduzido.  Relativamente à necessidade da transição energética, acha que a energia solar pode substituir as energias fósseis no setor industrial? PL: Será muito difícil a substituição da energia fóssil nos processos industriais a médio prazo. Energia solar, eólica e hídrica são intermitentes, pelo que nos próximos anos, serão apenas uma (grande ajuda). A longo prazo, com a evolução e quebra de preço das tecnologias de armazenamento de eletricidade, talvez seja possível, mas para tudo correr bem, é preciso termos calma, e fazermos este processo de uma forma pensada e calculada. As alterações necessárias são gigantes, e vão desde o padrão de consumo, passando pela evolução da tecnologia, e mais importante, uma mudança profunda na rede de transporte e distribuição de eletricidade. O Estado também tem um papel importante na mudança. Na sua opinião, as administrações públicas portuguesas, que apoiam e divulgam a mudança para energias limpas, estão a dar o exemplo nas suas instalações? PL: Sim, de facto o Estado tem apostado em energia solar em todos os concursos públicos de reconstrução ou edificação de novos edifícios públicos. Para além de um exemplo, o mais importante é que, de facto, leva a uma poupança nos gastos e poupanças em eletricidade. Isto é poupança do dinheiro dos contribuintes.  Mas os resultados de poupança mesmo que sejam divulgados publicamente, não se comparam a ouvir o vizinho do lado dizer que está a poupar 50% na fatura, desde que “meteu painéis” . Este tipo de experiência real, de famílias, é o melhor exemplo, e desmistifica a aparente complexidade desta tecnologia, gerando familiarização.  Olhemos agora para a SolarShop. Quais os principais desafios atuais e que metas têm para o futuro? PL: Os nossos principais desafios são o de manter a nossa qualidade de serviço, dado o crescimento que conseguimos nos últimos quatro anos, e para tal temos aumentado a nossa equipa interna, contando com 30 colaboradores, para que nunca se perca uma das premissas, que nos trouxeram até aqui, ou seja, o de total disponibilidade e compromisso com todos os nossos clientes.  Contudo temos um extremo orgulho em toda nossa equipa e é um prazer estar lado a lado com eles em todas as nossas “batalhas”.  As nossas metas são, manter os princípios da empresa, ainda que isso possa limitar o nosso crescimento, cimentar a SolarShop como principal distribuidor nacional de material fotovoltaico. Queremos também estar na frente do crescimento rápido dos sistemas de storage (acumulação)  Partilhar casos de sucesso é muito importante para nós. Como é que a SolarShop se tornou uma das empresas líderes no mercado português de energia solar? PL: A SolarShop inicia o seu percurso há 12 anos, inicialmente como empresa instaladora, especializando-se em instalações de nicho, mas tecnicamente exigentes: Off-grid e bombagem solar. Dois anos após a criação da empresa, fomos pioneiros, e criamos a nossa loja online SolarShop, que rapidamente se tornou um sinónimo de produtos inovadores e de qualidade. Essa boa imagem, fez com que lentamente, fossemos contactados por instaladores, começando assim, a nossa atividade de revenda.  Com a continuidade e aumento da procura por parte do cliente instalador, tanto dos artigos para as instalações, como do nosso suporte técnico em 2018, decidimos focar-nos apenas na rede de distribuição e parar com a divisão de instalações, uma vez que é injusto o que muito empresas do setor fazem, sendo concorrentes dos próprios clientes e como é lógico com melhores preços do que as demais empresas.  O que nos tornou líderes de mercado foi, primeiramente, apenas trabalharmos com marcas de qualidade comprovada, que passem todos os testes a que são sujeitas no nosso armazém, nunca vamos à venda fácil, ao preço pelo preço, mas sim à qualidade e essa tem de ser paga; em segundo, o nosso percurso enquanto instaladores, fez com que entendêssemos perfeitamente os problemas dos demais, tais como apoio técnico pré e pós venda, respostas céleres em caso RMA e, para tal, nós criámos um gabinete técnico com seis engenheiros prontos tanto para dimensionar, bem como comissionar e resolver qualquer problema que surja ao nosso cliente no decorrer ou à posteriori em qualquer instalação; por fim, outro grande problema são os transportes, e nós tentemos sempre servir os nosso clientes, entre 24 e 48h com a melhor qualidade de embalamento de todo o setor na Península Ibérica.  A SolarShop fez uma grande aposta na ENERH2O 2023. Que objetivos definiram para a feira? PL: Primeiramente, a nossa aposta desde o início, foi ajudar a promover uma feira nacional dedicada, tanto a energias renováveis e rega, pois em Portugal defende-se muito o que vem e o que se faz fora e dá-se pouca credibilidade e relevância ao que se desenvolve no nosso país, e na SolarShop tentamos traçar esse caminho de forma distinta, o que nos levou a ser não só o primeiro, mas o maior stand da feira.  Os nossos objetivos são não só o de dar a conhecer a SolarShop a mais empresas, mas também de cimentar as relações com todos os nossos clientes e parceiros, pois o difícil nas relações comerciais não é iniciar, mas sim ir mantendo a mesma ao longo dos anos, e fomentar a ideia de que a SolarShop mais do que uma empresa é um parceiro e uma extensão das suas próprias empresas.  Há uma grande expetativa sobre as inovações que serão apresentadas. Quais os principais desenvolvimentos que a SolarShop leva à ENERH2O 2023? PL: As inovações que iremos apresentar serão módulos com tecnologia Back Contact, ou seja, ao invés de os contactos entre células serem frontais, os mesmos estão nas “costas” dos módulos, melhorando a eficiência e diminuindo o gradiente de calor nos mesmos, enquanto se tornam muito mais apelativos a nível estético.  Por outro lado, iremos também mostrar as últimas novidades de todos os fabricantes de qualidade, que representamos em Portugal, que são Módulos: Longi, DMEGC, Aiko; Inversores: Fox, Solplanet, SMA, Studer; Baterias: Weco, Cegasa; e Estruturas: Aerocompact e Sunfer.

diretores

Diretores da ENERH2O

Número de expositores na ENERH20 supera os objetivos iniciais

O número de expositores e a área expositiva da ENERH2O já ultrapassou os objetivos traçados inicialmente pelos organizadores, as empresas On Events e PROFEI. Sobre esta aposta e os principais destaques da primeira edição, falamos com Filipe Gomes e Juli Simon Millet, diretores da ENERH20, numa entrevista conjunta. Estamos a poucas semanas da primeira edição da ENERH2O. Como surgiu a ideia de organizar uma feira sobre tecnologias da água e energias renováveis em Portugal? Filipe Gomes (FG): Havia no setor específico das feiras profissionais, uma lacuna no mercado em termos de abordagem sistematizada e transversal para os desafios da transição energética. Embora existam conferências e eventos, não têm a mesma dimensão, o mesmo posicionamento e não exploram as sinergias resultantes da junção do setor da água e das energias renováveis. Se a isso acrescentarmos uma procura efetiva, principalmente industrial, estavam reunidas as condições de base que um breve estudo de mercado e análise mais aprofundada veio a validar. Juli Simon Millet (JSM): Foi uma combinação de vários elementos. A emergência climática é uma questão que me preocupa muito. Está a tornar-se cada vez mais percetível no nosso presente, mas enquanto sociedade ainda não estamos verdadeiramente conscientes das reais dimensões do problema. Esta situação pessoal, aliada ao potencial geográfico e climático que Portugal tem para a mudança de energias fósseis para energias renováveis e para o avanço tecnológico no tratamento da água, e à falta de feiras do setor no país, fez com que a ideia surgisse naturalmente. Esta é a primeira feira que conta com a organização conjunta da empresa portuguesa On Events e da empresa espanhola PROFEI, ambas especializadas na realização deste tipo de eventos. Como está a ser esta experiência? (FG): Existia já um conhecimento mútuo antigo e de confiança dos responsáveis de cada empresa, do seu histórico, visão, cultura e princípios, o que facilita qualquer parceria, que neste caso ganhou dimensão ibérica e, por maioria de razão, internacional. O resultado alcançado em todas as vertentes, atestam das virtudes da mesma. (JSM): Muito boa. A comunicação e a coordenação estão a decorrer sem problemas para um primeiro evento que estamos a organizar em conjunto. Há coisas a melhorar para o próximo ano, como em todo o lado, mas a simbiose destas duas empresas permite-nos trabalhar os mercados português e espanhol a 100% das nossas faculdades. A ENERH2O é um certame especializado, que abrange um conjunto diversificado de áreas. A que profissionais se destina? (FG): Embora seja uma feira de nicho e especializada, de natureza B2B, é nosso propósito que seja o ponto de encontro dos profissionais do setor que venham à procura de soluções, serviços, equipamentos e tecnologia do setor da água e energias renováveis. (JSM): A ENERH2O é um evento B2B e foram os próprios expositores que priorizaram a tipologia de profissionais que desejam ver no evento, assim como os agentes setoriais com quem temos acordos. A feira destina-se a um vasto leque de profissionais que trabalham ou investem nas energias renováveis e nas tecnologias da água: desde profissionais da administração pública, arquitetos e profissionais da construção, até consultores e industriais. Temos como prioridade a captar a visita de profissionais responsáveis pela instalação de equipamentos de energias renováveis, bem como de instaladores e representantes de empresas de abastecimento, saneamento e distribuição de água. Damos ainda destaque às engenharias, porque desempenham um papel muito importante para os nossos expositores, assim como empresas industriais que têm de investir em ambos os setores (água e energias renováveis). O evento é uma novidade no calendário de feiras em Portugal. De que forma têm reagido e respondido as empresas portuguesas e internacionais ao convite para participarem na ENERH2O? E no que se refere aos agentes setoriais? (FG): A resposta foi muito positiva se tivermos em conta que se trata de uma primeira edição, que terá mais de 50 expositores diretos, mais de 2000 m2 de mostra, dois dias repletos de conferências com a presença de oradores de renome nacional e internacional. Por outro lado, tivemos o apoio das principais associações setoriais, sendo que a procura, que tem sido crescente, dá-nos a confiança que será uma feira com networking e negócio. (JSM): Está a ter uma resposta melhor do que o previsto. Como esta é a primeira edição, é muito difícil conseguir qualidade e quantidade. Mas a resposta tem sido muito boa e temos mais expositores do que o esperado e de grande importância tecnológica e comercial. O facto de ser a única feira de energias renováveis e tratamento de águas do país contribuiu para que a resposta fosse tão positiva. O potencial de Portugal nestes setores é enorme, o que nos dá confiança para acreditar que a feira vai crescer e tornar-se um ponto de encontro de empresas e profissionais do setor, nacionais e internacionais. É de realçar que, desde o início, a ENERH2O tornou-se numa feira com uma grande presença de empresas internacionais, ao ponto de cerca de metade dos expositores não serem portugueses. A ENERH2O pretende ser uma importante montra, tanto na área das tecnologias da água, como das energias renováveis. Que oferta vão poder encontrar os visitantes? (FG): Estruturada nos dois setores referidos, as soluções fotovoltaicas e de autoconsumo dominam essa área, sendo no caso da água mais transversal e abrangente. Recomendo uma consulta do site (www.enerh2o.com), que permite ao visitante pesquisar por interesse e produto em exposição, o que facilita muito a visita em si. (JSM): Esta primeira edição da ENERH2O é dominada pelo setor fotovoltaico, de autoconsumo e de armazenamento de energia, uma vez que este é o que está mais presente a nível comercial e no quotidiano das energias renováveis. No setor da água temos uma representação mais diversificada: tratamento de água (purificação, dessalinização, potabilização, etc.); abastecimento, recolha, transporte e armazenamento de água; e também tudo o que está relacionado com o setor agrícola (irrigação, secas, contaminação, etc.). Finalmente, temos ainda uma oferta muito interessante e destacável em setores como o hidrogénio, o biogás ou as tecnologias de monitorização, e que são muito importantes para o futuro. Em eventos profissionais como este, é indispensável dar espaço também à informação e ao debate de aspetos técnicos. O que destacariam do programa de conferências da ENERH2O 2023? (FG): O conhecimento e a partilha de informação assumem um caráter fundamental nas feiras profissionais, pelo que desenhámos o evento com esse pressuposto de base, mantendo por exemplo as salas de conferência no mesmo espaço da exposição, para facilitar a vida ao profissional e permitir maior interação entre os dois agentes chave que são o expositor e o visitante. As duas salas estarão preenchidas de manhã até ao final da feira, com conferências da nossa responsabilidade, dos parceiros institucionais e das empresas, num equilíbrio que se traduz numa oferta atual, diversificada e qualificada quanto ao modelo e tipo de intervenção de cada um dos intervenientes. O programa, que é um claro atrativo da ENERH2O, encontra se atualizado no site. (JSM): Na minha opinião, a qualidade dos oradores e das conferências é tão importante como a qualidade dos expositores e dos visitantes. Quando se aborda setores em constante evolução tecnológica, que têm elevados investimentos financeiros na investigação científica, é importante manter as áreas comerciais informadas sobre estes avanços e descobertas. Por esta razão, tentámos encontrar um equilíbrio para ter conferências de qualidade, de um ponto de vista comercial (por parte dos próprios expositores), de um social (por parte das associações) e de outro académico (em que cientistas de relevo apresentam como as grandes descobertas da investigação científica poderão ser mais tarde aplicadas à nossa vida quotidiana). Para dar um exemplo, um professor da École Normale Supérieure de Paris e diretor de investigação do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) vai explicar como gerar eletricidade a partir do encontro entre correntes de água salgada e de água doce, e como esta descoberta científica foi aplicada, do ponto de vista tecnológico, para ser possível construir uma central elétrica que fornece eletricidade a uma cidade inteira. Estou muito orgulhoso do programa de conferências que elaborámos e penso que será uma grande atração para todo o tipo de profissionais. Tal como em outros setores, também para quem está nesta área da organização de feiras, é essencial a medição e avaliação de resultados e para isso há que traçar objetivos. Quais os principais objetivos que definiram para esta primeira edição, em termos quantitativos e qualitativos? (FG): Do ponto de vista quantitativo, ultrapassámos a meta do número de expositores e de área expositiva estipulada, sendo de esperar o mesmo no que toca ao número de visitantes profissionais. É para nós fundamental, o lastro que podemos deixar, e o contributo à nossa escala, para acelerar o processo de transição energética e principalmente a adoção de medidas e investimentos que os agentes económicos podem levar a cabo para serem mais eficientes e reduzirem a sua pegada ecológica (JSM): Um dos principais objetivos já foi alcançado, que era o de encontrar pelo menos 40 expositores de qualidade, e já ultrapassámos largamente este número. O segundo, igualmente importante, é o estabelecimento de acordos de colaboração com os principais agentes setoriais e revistas técnicas especializadas. Temos acordos com a APEMETA, APRH, AIPOR, NET4CO2 e TECHSOLIDS, e com as principais revistas setoriais Energias Renováveis, O Instalador, Indústria e Ambiente, entre outras. Por último, é fundamental que a qualidade e a quantidade de visitantes corresponda aos nossos objetivos. Acreditamos que se, no mínimo, 2000 profissionais visitarem a feira, visitantes de qualidade para expositores e indústria, o sucesso estará garantido e o evento começará a crescer consideravelmente a partir da próxima edição. Estamos a trabalhar arduamente para fazer chegar a informação e os convites aos profissionais certos. A terminar, uma palavra para os profissionais interessados em tecnologias da água e/ou das energias renováveis que ainda não sabem se vão visitar a ENERH2O. O que lhes diria como incentivo para não perderem este evento? (FG): Que é uma oportunidade a não perder, pela excelente oferta em exposição. Por outro lado, a ENERH2O está desenhada enquanto feira especializada para que o visitante não se disperse e tenha uma visita mais proveitosa e focada. Motivos não faltam! (JSM): Que não devem pensar duas vezes. Que a visita será positiva, tanto a nível profissional, como a nível de aprendizagem. Que vão conseguir contactos na feira que abrirão portas a novos projetos, indústrias, empresas e produtos.

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Cláudio Monteiro

Professor do Departamento de Engenharia Eletrónica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

“Poucos (…) compreendem as profundas consequências” de não haver sucesso na transição energética

 

Os consumidores e decisores políticos em Portugal estão sensibilizados quanto à
“necessidade urgente de substituir as energias fósseis por fontes renováveis”,
considera Cláudio Monteiro, Professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do
Porto. Contudo, para o especialista, “a consciência plena só surgirá quando
começarmos a sentir as consequências diretas da inação”.

Com períodos de seca cada vez mais comuns e de longa duração torna-se indispensável gerir eficazmente os recursos hídricos. Quais são os principais desafios tecnológicos que se colocam à gestão da água em Portugal? Carlos Iglézias (CI): O desenvolvimento, e sobretudo a sua aplicação prática, de soluções que permitam a redução das perdas na armazenagem e distribuição, a redução dos consumos energéticos associados à distribuição e a monitorização da utilização são questões que deverão, cada vez mais, ser objeto de investimento na procura de respostas à redução das perdas e ao combate ao consumo indevido. O conhecimento das redes, e neste conhecimento incluo não só o conhecimento de meios materiais, mas também dos seus utilizadores/beneficiários, e a sua monitorização é fundamental para uma operação eficiente. Neste contexto, a Inteligência Artificial tem espaço de aplicação que a escassez do recurso água, face às necessidades crescentes, vai viabilizar. A gestão hídrica e as energias renováveis fazem parte do PRR. Acha que existe uma visão verdadeiramente estratégica para esta área? CI: Portugal, membro da União Europeia (UE), tem objetivos claros relativamente às metas e indicadores a alcançar no curto e médio prazo. O PRR prevê 390 milhões de euros para a gestão hídrica, dos quais 200 milhões só para o plano regional de eficiência hídrica do Algarve, região particularmente afetada pela redução da precipitação média anual. Nas energias renováveis, que inclui o hidrogénio verde, estão previstos investimentos no valor de 370 M€. São valores enormes que, se concretizados, terão enorme impacto nos respetivos indicadores que, para além dos definidos pela UE, o governo definiu como estratégia de valorização dos recursos naturais que temos à disposição, mar, sol e vento. A grande questão, que será respondida no curto prazo, com o encerramento do PRR, é saber se Portugal consegue realizar estes investimentos nos valores e prazos previstos. Quais as oportunidades e que expetativas tem do PRR para o setor? CI: Como já amplamente divulgado, os grandes projetos e respetivos apoios estão dirigidos a entidades públicas, beneficiando as empresas privadas ativas nestes setores dos contratos que conseguirem firmar, à luz do código de contratação pública, em concorrência direta com empresas estrangeiras, que ultrapassam muitas vezes as empresas portuguesas, ficando as empresas portuguesas como subcontratadas. É certo que com os anunciados apoios financeiros, associados às áreas da descarbonização da indústria e eficiência energética em edifícios, se sentiu uma maior atividade nas empresas ativas nestas áreas, fruto dos apoios financeiros disponíveis e do impacto imediato na redução das faturas de energia, que aumentaram brutalmente durante o ano de 2022 por razões conhecidas, pese embora o atraso na comunicação das decisões sobre cada uma das candidaturas e da receção dos apoios financeiros em caso de aprovação por parte do Fundo Ambiental. Nos últimos anos, a água passou a ser vista como um produto financeiro. O que pensa deste recurso ser negociado como commodity? CI: A mercantilização da água é um passo sobre o qual deveremos refletir profundamente, onde, como e quando. É um bem essencial à vida, como o ar que respiramos, e incontornável na agricultura, porque essencial, como o é também na indústria, nas florestas, nas atividades de lazer. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada por todos os Estados-Membros das Nações Unidas em 2015, e que entrou oficialmente em vigor em 2016, define as prioridades e aspirações do desenvolvimento sustentável global para 2030 e um destes objetivos, o sexto, é “água potável e saneamento”. Este objetivo, acesso a água potável e saneamento, é um dos pilares considerados imprescindíveis para o desenvolvimento sustentável da população mundial e como tal, à luz da Carta das Nações Unidas, um direito. Tenho enormes dúvidas como este direito coincide com o conceito deste recurso ser negociado como commodity, no seu todo, uma coisa é a necessária sustentabilidade deste recurso e a sua valorização e outra a mercantilização associada ao conceito de commodity para tudo e todos. Fala-se cada vez mais de Inteligência Artificial e da sua influência em várias atividades. De que forma pode ser aplicada pelas empresas de tecnologias ambientais? CI: A Inteligência Artificial é uma ferramenta que pode ser particularmente útil na gestão de infraestruturas, pela rapidez com que pode sugerir ou mesmo acionar medidas mitigadoras ou preventivas de ações ou atividades que ponham em causa o bom funcionamento das mesmas. A sua aplicação e o valor que poderá acrescentar depende do conhecimento das infraestruturas e/ou âmbitos de intervenção. Sem conhecimento e medição não é possível gerir, e a aplicação da Inteligência Artificial está dependente do conhecimento prévio, a partir do qual extrapola ações que por sua vez irão constituir acervo para futuras ações, constituindo um ciclo, que se pretende virtuoso, suportado em conhecimento, de ações e impacto das mesmas. Olhemos para a APEMETA, que existe há mais de 30 anos. Quais são os seus principais objetivos? CI: A APEMETA é uma associação sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública e de organização não governamental de ambiente, constituída com o objetivo de promover a análise, o estudo e o desenvolvimento de ações que visem a defesa do ambiente e, simultaneamente, proporcionar o desenvolvimento dos associados nesta área. Como se formaliza no dia a dia este objetivo? Promovendo a recolha, desenvolvimento, permuta e divulgação de conhecimentos e experiências na área do ambiente, através de ações de consultoria, formação, seminários, encontros empresariais, missões no estrangeiro e reversas, onde participam stakeholders estrangeiros que vêm conhecer realidades e competências de realização portuguesas que podem ser reproduzidas em outras geografias, criando redes com associações congéneres pelos cinco continentes, que facilitem o conhecimento de mercados e o respetivo acesso às empresas portuguesas. A informação de mercados externos e coletâneas de legislação ambiental de diversos países faz parte do acervo documental da associação e está disponível para as empresas interessadas. Visitem-nos em www.apemeta.pt onde poderão encontrar a informação disponível à distância de um clique. A associação representa mais de 200 empresas. Fale-nos um pouco das associadas e das suas atuais preocupações? CI: As empresas associadas da APEMETA ativas nos setores do ambiente, resíduos, energia e águas, algumas cobrindo todos estes setores, são maioritariamente PME, que atualmente estão particularmente preocupadas com o atual atraso do “Portugal 2030” e com a evolução dos valores da inflação. Não podemos esquecer que este programa plurianual de apoio, que fixou os grandes objetivos estratégicos para aplicação entre 2021 e 2027, com o montante global de 23 mil milhões de euros, parte dos quais, através dos Programa Temático Compete 2030 e Regionais destinados ao apoio ao investimento produtivo e internacionalização do setor empresarial, só em maio de 2023 publicou os primeiros avisos que permitirão às empresas candidatar-se aos apoios financeiros. Este atraso refletiu-se negativamente em muitos investimentos, que foram adiados por falta de liquidez financeira das empresas, que sofreram dificuldades emergentes do combate à situação epidemiológica COVID-19, em 2020 e 2021, e da invasão pelo exército russo da Ucrânia, em fevereiro de 2022, com enormes consequências no custo e disponibilidade de matérias-primas, componentes e energia. De que forma estas preocupações estão relacionadas com a necessidade de alterações regulamentares e quais as exigências da APEMETA perante os legisladores e o Governo? CI: As preocupações com o “arranque” do Portugal 2030 e a inflação são reais e o que o setor empresarial anseia é o rápido arranque dos diversos programas dirigidos ao setor empresarial e o cumprimento dos prazos previstos na legislação e avisos já publicados, sendo incontornável, para que isso aconteça, que as diversas equipas executivas dos programas financiadores sejam providas dos necessários meios técnicos e humanos. Quanto ao problema da inflação, estamos conscientes que o grau de dependência de fornecimentos externos na atividade do setor é relevante e que a inflação importada só pode ser combatida com inovação e melhoria de produtividade, o que nos exige investimento, que estou certo merecerá o apoio do Portugal 2030. A APEMETA vai estar na ENERH2O 2023. Como será a sua participação na feira? CI: Estaremos presentes com um stand e, no contexto deste evento, a 28 de setembro, promoveremos o workshop ”Water2Business”. Cremos que será mais um contributo para a dinamização do setor e de atração deste evento. Em que medida eventos como a ENERH2O são necessários e podem contribuir para o setor? CI: Este evento ao proporcionar o encontro direto entre os diversos atores que constituem o universo água e energia, como outros com objetivos semelhantes, contarão sempre com o apoio da APEMETA, por se inserirem nos objetivos estatutários da associação de promover a divulgação do conhecimento e tecnologias nas áreas do ambiente e energia. É importante criar espaços de debate e de encontro entre a oferta e a procura, que dinamizem o mercado e, sobretudo, a rápida resposta aos desafios que são colocados pelas alterações climáticas e, simultaneamente, pela sustentabilidade das soluções.

Carlos Iglézias

Presidente da APEMETA
Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais

Carlos Iglézias  Presidente da APEMETA Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais

Inteligência artificial “pode ser particularmente útil na gestão de infraestruturas”


Os desafios tecnológicos na gestão da água e o papel que pode ter a inteligência artificial são temas de uma entrevista com Carlos Iglézias, Presidente da APEMETA. Falamos ainda das oportunidades do Plano de Resiliência e Recuperação (PRR), dos objetivos da associação e da sua participação na ENERH2O, entre outros temas.

Com períodos de seca cada vez mais comuns e de longa duração torna-se indispensável gerir eficazmente os recursos hídricos. Quais são os principais desafios tecnológicos que se colocam à gestão da água em Portugal? Carlos Iglézias (CI): O desenvolvimento, e sobretudo a sua aplicação prática, de soluções que permitam a redução das perdas na armazenagem e distribuição, a redução dos consumos energéticos associados à distribuição e a monitorização da utilização são questões que deverão, cada vez mais, ser objeto de investimento na procura de respostas à redução das perdas e ao combate ao consumo indevido. O conhecimento das redes, e neste conhecimento incluo não só o conhecimento de meios materiais, mas também dos seus utilizadores/beneficiários, e a sua monitorização é fundamental para uma operação eficiente. Neste contexto, a Inteligência Artificial tem espaço de aplicação que a escassez do recurso água, face às necessidades crescentes, vai viabilizar. A gestão hídrica e as energias renováveis fazem parte do PRR. Acha que existe uma visão verdadeiramente estratégica para esta área? CI: Portugal, membro da União Europeia (UE), tem objetivos claros relativamente às metas e indicadores a alcançar no curto e médio prazo. O PRR prevê 390 milhões de euros para a gestão hídrica, dos quais 200 milhões só para o plano regional de eficiência hídrica do Algarve, região particularmente afetada pela redução da precipitação média anual. Nas energias renováveis, que inclui o hidrogénio verde, estão previstos investimentos no valor de 370 M€. São valores enormes que, se concretizados, terão enorme impacto nos respetivos indicadores que, para além dos definidos pela UE, o governo definiu como estratégia de valorização dos recursos naturais que temos à disposição, mar, sol e vento. A grande questão, que será respondida no curto prazo, com o encerramento do PRR, é saber se Portugal consegue realizar estes investimentos nos valores e prazos previstos. Quais as oportunidades e que expetativas tem do PRR para o setor? CI: Como já amplamente divulgado, os grandes projetos e respetivos apoios estão dirigidos a entidades públicas, beneficiando as empresas privadas ativas nestes setores dos contratos que conseguirem firmar, à luz do código de contratação pública, em concorrência direta com empresas estrangeiras, que ultrapassam muitas vezes as empresas portuguesas, ficando as empresas portuguesas como subcontratadas. É certo que com os anunciados apoios financeiros, associados às áreas da descarbonização da indústria e eficiência energética em edifícios, se sentiu uma maior atividade nas empresas ativas nestas áreas, fruto dos apoios financeiros disponíveis e do impacto imediato na redução das faturas de energia, que aumentaram brutalmente durante o ano de 2022 por razões conhecidas, pese embora o atraso na comunicação das decisões sobre cada uma das candidaturas e da receção dos apoios financeiros em caso de aprovação por parte do Fundo Ambiental. Nos últimos anos, a água passou a ser vista como um produto financeiro. O que pensa deste recurso ser negociado como commodity? CI: A mercantilização da água é um passo sobre o qual deveremos refletir profundamente, onde, como e quando. É um bem essencial à vida, como o ar que respiramos, e incontornável na agricultura, porque essencial, como o é também na indústria, nas florestas, nas atividades de lazer. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada por todos os Estados-Membros das Nações Unidas em 2015, e que entrou oficialmente em vigor em 2016, define as prioridades e aspirações do desenvolvimento sustentável global para 2030 e um destes objetivos, o sexto, é “água potável e saneamento”. Este objetivo, acesso a água potável e saneamento, é um dos pilares considerados imprescindíveis para o desenvolvimento sustentável da população mundial e como tal, à luz da Carta das Nações Unidas, um direito. Tenho enormes dúvidas como este direito coincide com o conceito deste recurso ser negociado como commodity, no seu todo, uma coisa é a necessária sustentabilidade deste recurso e a sua valorização e outra a mercantilização associada ao conceito de commodity para tudo e todos. Fala-se cada vez mais de Inteligência Artificial e da sua influência em várias atividades. De que forma pode ser aplicada pelas empresas de tecnologias ambientais? CI: A Inteligência Artificial é uma ferramenta que pode ser particularmente útil na gestão de infraestruturas, pela rapidez com que pode sugerir ou mesmo acionar medidas mitigadoras ou preventivas de ações ou atividades que ponham em causa o bom funcionamento das mesmas. A sua aplicação e o valor que poderá acrescentar depende do conhecimento das infraestruturas e/ou âmbitos de intervenção. Sem conhecimento e medição não é possível gerir, e a aplicação da Inteligência Artificial está dependente do conhecimento prévio, a partir do qual extrapola ações que por sua vez irão constituir acervo para futuras ações, constituindo um ciclo, que se pretende virtuoso, suportado em conhecimento, de ações e impacto das mesmas. Olhemos para a APEMETA, que existe há mais de 30 anos. Quais são os seus principais objetivos? CI: A APEMETA é uma associação sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública e de organização não governamental de ambiente, constituída com o objetivo de promover a análise, o estudo e o desenvolvimento de ações que visem a defesa do ambiente e, simultaneamente, proporcionar o desenvolvimento dos associados nesta área. Como se formaliza no dia a dia este objetivo? Promovendo a recolha, desenvolvimento, permuta e divulgação de conhecimentos e experiências na área do ambiente, através de ações de consultoria, formação, seminários, encontros empresariais, missões no estrangeiro e reversas, onde participam stakeholders estrangeiros que vêm conhecer realidades e competências de realização portuguesas que podem ser reproduzidas em outras geografias, criando redes com associações congéneres pelos cinco continentes, que facilitem o conhecimento de mercados e o respetivo acesso às empresas portuguesas. A informação de mercados externos e coletâneas de legislação ambiental de diversos países faz parte do acervo documental da associação e está disponível para as empresas interessadas. Visitem-nos em www.apemeta.pt onde poderão encontrar a informação disponível à distância de um clique. A associação representa mais de 200 empresas. Fale-nos um pouco das associadas e das suas atuais preocupações? CI: As empresas associadas da APEMETA ativas nos setores do ambiente, resíduos, energia e águas, algumas cobrindo todos estes setores, são maioritariamente PME, que atualmente estão particularmente preocupadas com o atual atraso do “Portugal 2030” e com a evolução dos valores da inflação. Não podemos esquecer que este programa plurianual de apoio, que fixou os grandes objetivos estratégicos para aplicação entre 2021 e 2027, com o montante global de 23 mil milhões de euros, parte dos quais, através dos Programa Temático Compete 2030 e Regionais destinados ao apoio ao investimento produtivo e internacionalização do setor empresarial, só em maio de 2023 publicou os primeiros avisos que permitirão às empresas candidatar-se aos apoios financeiros. Este atraso refletiu-se negativamente em muitos investimentos, que foram adiados por falta de liquidez financeira das empresas, que sofreram dificuldades emergentes do combate à situação epidemiológica COVID-19, em 2020 e 2021, e da invasão pelo exército russo da Ucrânia, em fevereiro de 2022, com enormes consequências no custo e disponibilidade de matérias-primas, componentes e energia. De que forma estas preocupações estão relacionadas com a necessidade de alterações regulamentares e quais as exigências da APEMETA perante os legisladores e o Governo? CI: As preocupações com o “arranque” do Portugal 2030 e a inflação são reais e o que o setor empresarial anseia é o rápido arranque dos diversos programas dirigidos ao setor empresarial e o cumprimento dos prazos previstos na legislação e avisos já publicados, sendo incontornável, para que isso aconteça, que as diversas equipas executivas dos programas financiadores sejam providas dos necessários meios técnicos e humanos. Quanto ao problema da inflação, estamos conscientes que o grau de dependência de fornecimentos externos na atividade do setor é relevante e que a inflação importada só pode ser combatida com inovação e melhoria de produtividade, o que nos exige investimento, que estou certo merecerá o apoio do Portugal 2030. A APEMETA vai estar na ENERH2O 2023. Como será a sua participação na feira? CI: Estaremos presentes com um stand e, no contexto deste evento, a 28 de setembro, promoveremos o workshop ”Water2Business”. Cremos que será mais um contributo para a dinamização do setor e de atração deste evento. Em que medida eventos como a ENERH2O são necessários e podem contribuir para o setor? CI: Este evento ao proporcionar o encontro direto entre os diversos atores que constituem o universo água e energia, como outros com objetivos semelhantes, contarão sempre com o apoio da APEMETA, por se inserirem nos objetivos estatutários da associação de promover a divulgação do conhecimento e tecnologias nas áreas do ambiente e energia. É importante criar espaços de debate e de encontro entre a oferta e a procura, que dinamizem o mercado e, sobretudo, a rápida resposta aos desafios que são colocados pelas alterações climáticas e, simultaneamente, pela sustentabilidade das soluções.

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Jorge Cardoso Gonçalves

Presidente da APRH – Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos

“A gestão da água deverá assentar numa visão integrada”

Uma visão integrada que considere desafios ambientais, demográficos, sociais,
económicos, territoriais e climáticos é necessária na gestão da água, segundo Jorge
Cardoso, Presidente da APRH. Em entrevista à ENERH2O Notícias, refere ainda que é
preciso repensar a forma como usamos este recurso e promover a “educação para a
água”.

Nos últimos anos, as situações de seca severa e extrema têm sido cada vez mais habituais em Portugal continental, assim como em muitas outras partes do mundo. Neste contexto, podemos afirmar que a água é o recurso mais afetado pelas alterações climáticas? Jorge Cardoso (JC): Globalmente, têm sido diversos os alertas sobre a “crise da água”. Uma evolução não planeada, uma gestão não adaptativa e um contexto desfavorável, poderão acentuar o desequilíbrio entre necessidades (procura) e disponibilidades (oferta), aumentando a pressão sobre os recursos e precipitando uma “crise da água” em Portugal, na Europa e no Mundo. A gestão da água, recurso particularmente vulnerável em contexto de adaptação climática, deverá assentar numa visão integrada, considerando desafios ambientais, demográficos, sociais, económicos, territoriais e climáticos. Com a crescente escassez de água, importa promover uma utilização eficiente a todos os níveis. Na sua opinião, os consumidores portugueses estão sensibilizados e fazem um uso adequado deste recurso? O que pode e deve ser feito para melhorar? JC: Por vezes, apenas em cenários de escassez se reconhece o “valor da água”. Quantas vezes abrimos a torneira e não tivemos água? Portugal está globalmente infraestruturado com redes de abastecimento de água e a percentagem de água segura em Portugal Continental é de cerca de 99%, considerado um valor de excelência: sabemos quanto vale esse acesso a água segura, em termos de saúde pública, de igualdade e de justiça? Existe a necessidade de repensar a forma como usamos a água e de promover a “educação para água”. A redução do consumo de água nas habitações tem uma componente comportamental e outra infraestrutural. Poderá passar pelas nossas escolhas e pela adequação dos nossos hábitos, com pequenos cuidados no nosso quotidiano. Nos sistemas prediais de distribuição de água, deverá procurar-se combater as ineficiências hídricas e energéticas, adequar os sistemas construídos, reduzir o consumo de água potável e escolher equipamentos tendo em conta a sua eficiência hídrica. No atual cenário, acha que os recursos hídricos disponíveis são suficientes para garantir a sustentabilidade do nosso sistema de abastecimento de água e fazer face às necessidades? JC: Em Portugal, à exceção de situações pontuais, o abastecimento urbano encontra-se estruturado e existem infraestruturas que, sendo geridas de forma robusta, asseguram que a seca não chega às nossas torneiras. No entanto, existe a necessidade de repensar a forma como usamos a água e de promover a “educação para a água”. As mensagens “viver com menos água” e “viver com outra água” (não potável para usos compatíveis) deverão chegar às pessoas. A estratégia poderá passar por repensar a forma como usamos a água (preservar o recurso a partir da nossa torneira), por reduzir as perdas de água nos sistemas urbanos, na indústria e na agricultura e por reutilizar as águas residuais para fins não potáveis, por aproveitar as águas pluviais e/ou promover a sua infiltração, por explorar e apostar (com viabilidade económica e ambiental) em novas origens (por exemplo, o mar), por encurtar as cadeias de abastecimento (produzir e consumir localmente), e por planear, colocando na equação a “bomba relógio” da não renovação de infraestruturas hidráulicas que começam a atingir o seu tempo de vida. Fala-se cada vez mais em reaproveitamento, que em Portugal ainda não é muito comum. O que falta fazer para que consigamos regenerar e reutilizar toda a água? JC: O contexto atual torna necessária uma mudança de mentalidade em relação ao uso da água, que deverá ser uma prioridade e uma aposta assertiva dos diferentes decisores e intervenientes. Vamos continuar a utilizar água potável para fins não potáveis? A regar com a mesma água que bebemos? A ter autoclismos alimentados por água potável? A lavar as ruas com a mesma água que abastece as nossas casas? Nas redes prediais, a aposta poderá passar por sistemas de aproveitamento de águas pluviais e cinzentas, através da recolha diferenciada, tratamento e reutilização de águas residuais cinzentas, e da retenção e aproveitamento de águas pluviais. Estas soluções de controlo na origem possibilitam a redução de volumes afluentes às redes de drenagem e aos sistemas de tratamento de águas residuais, com ganhos energéticos e de processo (por exemplo, regentes). Nas redes públicas, a utilização de águas residuais tratadas e o aproveitamento de águas pluviais, promovendo uma lógica circular e de combate a ineficiências energéticas, são apostas em “novas origens” que se enquadram na mensagem “viver com outra água”. A reutilização de água para lavagem de arruamentos/equipamentos, para regas e para alimentar redes diferenciadas de água não potável são caminhos a percorrer. A tecnologia pode ter um papel importante numa gestão mais eficaz dos recursos disponíveis. Quais os desafios que enfrenta Portugal neste campo? JC: A gestão musculada dos serviços de águas, em particular do abastecimento público, deverá incorporar uma visão holística e integrada, que atenda aos desafios de eficácia, de eficiência hídrica e energética, de robustez e de segurança. A tecnologia é crucial para facultar as ferramentas necessárias para o desenho e operacionalização de medidas. As medidas a implementar necessitam de suporte técnico, de investimento na reabilitação e reforço de infraestruturas, da aposta em inovação e tecnologia, e do envolvimento e compromisso de todos: instituições, entidades gestoras de serviços de águas e consumidores. Em relação a novos desafios, posso destacar o caso específico da produção de energia nos sistemas de abastecimento de água (hidrogeração). Materializada pela instalação de microturbinas nas condutas de água, esta solução possibilita a recuperação dos desníveis energéticos em sistemas de abastecimento de água para produção de “energia elétrica limpa”, sem consumo de recursos e utilizando um sistema produtor onde parte das componentes já se encontram instaladas. Necessita-se apenas de as adaptar para a produção de eletricidade, sem prejudicar a sua função principal (transporte de água), que continua assegurada. Que novidades tecnológicas têm influenciado a gestão das águas residuais? JC: Na gestão das águas residuais, em particular nos sistemas construídos e em constante envelhecimento, destaco tecnologias associadas à monitorização (caudais, volumes, qualidade da água, precipitação), ao controlo (afluências indevidas, descargas não programadas) e ao tratamento de dados, bem como as evoluções tecnológicas associadas às inovadoras análises preditivas. Da perspetiva das “novas” soluções circulares, refiro as tecnologias associadas a soluções de controlo na origem (reutilização de águas cinzentas e aproveitamento de águas pluviais nas redes prediais), ao processo de tratamento (por exemplo, MBR), à valorização de lamas, e à produção de energia nos sistemas de drenagem e nas ETAR. A Inteligência Artificial (IA) está a trazer novos desafios, mas também muitas possibilidades e soluções. De que forma julga que a IA pode influenciar nesta gestão? JC: A gestão otimizada de infraestruturas hidráulicas e o incremento da eficiência hídrica e energética encontram-se particularmente relacionados com a informação. A evolução tecnológica dos sistemas de monitorização e controlo das infraestruturas (redes, equipamentos, elementos acessórios) tem inerente uma elevada quantidade de dados (big data), gerados de forma automática e contínua. A Inteligência Artificial poderá ter um papel importante no tratamento de dados e na sua conversão em informação útil à tomada de decisão, tornando-a menos reativa e mais sustentada. A implementação de procedimentos padronizados para antecipar/detetar eventos que perturbem o normal funcionamento dos sistemas, recorrendo a IA poderá tornar os sistemas mais robustos e seguros. Olhemos para a forma como a água é encarada a nível dos mercados. Como vê a negociação da água como commodity, com cotação em bolsa? JC: A água, essencial à vida e “o princípio de todas as coisas”, tem um valor económico – permitindo o desenvolvimento de diversas atividades económicas (por exemplo, agricultura, produção de energia, indústria e turismo), ambiental – assegurando a existência dos ecossistemas, e social – sendo fundamental para as pessoas, para a saúde pública e para a igualdade. Por isso, a sua gestão deverá ser criteriosa e pautar-se por metas de eficiência exigentes e ambiciosas. Quando estamos longe de “garantir a disponibilidade e a gestão sustentável da água potável e do saneamento para todos” (Objetivo do Desenvolvimento Sustentável da ONU), penso que a perspetiva de um mundo cooperativo deve procurar responder a questões relacionadas com a universalidade, com a acessibilidade e com a igualdade no acesso a água segura. Quão distantes estão as mulheres e crianças que gastam horas do seu dia para ter acesso à água (muitas vezes sem qualidade)? Esta e outras questões colocam a discussão mais no plano do “direito à água” e menos no da “negociação da água”. A Associação Portuguesa de Recursos Hídricos (APRH) funciona como uma plataforma científica e técnica para muitos profissionais do setor dos recursos hídricos. Fale-nos um pouco dos seus objetivos e das atividades que desenvolve. JC: A Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos é uma associação científica e técnica, sem fins lucrativos, que conta com mais de 45 anos de história. Ao longo dos anos, a APRH tem sido um ponto de encontro para profissionais de diversas formações e campos de atividade, procurando estar próxima da sociedade civil, contribuir para disseminação de conhecimento e apoiar a gestão dos Recursos Hídricos. Os objetivos estatutários da APRH são: • A promoção do progresso do conhecimento e a discussão dos problemas relativos aos recursos hídricos nos domínios do planeamento, da gestão, do desenvolvimento, da administração, da ciência, da tecnologia, da investigação e do ensino; • A dinamização e o apoio a iniciativas que contribuam para a cooperação e para o diálogo entre os diferentes intervenientes, com vista à resolução dos problemas existentes no domínio dos recursos hídricos; • A participação em ações de divulgação dos princípios fundamentais de uma política adequada à gestão dos recursos hídricos; • A colaboração com associações congéneres e a dinamização da participação portuguesa em programas internacionais, no domínio dos recursos hídricos com interesse para o país. Enquanto plataforma de profissionais e de conhecimento, têm certamente uma palavra a dizer sobre as atuais políticas para o setor. Que medidas regulamentares ou legislativas advogam? JC: Os objetivos estatutários da APRH evidenciam a mobilização da associação para contribuir para disseminação de conhecimento e para apoiar a gestão dos Recursos Hídricos, nas diversas dimensões (sociais, ambientais e económicas) da governança da água, segundo uma abordagem holística e integrada. Portugal, Estado-Membro da União Europeia, dispõe de legislação, regulamentação e planos estratégicos robustos. Abordando o exemplo do Plano Nacional de Uso Eficiente da Água (PNUEA), este inclui um conjunto de medidas estruturadas para diferentes cenários de escassez hídrica, que permitem preparar uma resposta em contexto de seca. Destacaria a necessidade de operacionalizar o plano, traduzindo-o em medidas práticas e de implementação eficaz na redução dos consumos de água e no combate às perdas/ineficiências. Certamente que as vossas propostas congregam o pensamento de quem representam. Quem são e qual o perfil dos vossos associados? JC: A APRH é uma associação científica e técnica cuja atuação se pauta pelo rigor, pela independência, pela diversidade de pensamento e pela pluralidade dos seus associados individuais (profissionais de diversas formações e campos de atividade) e coletivos (instituições, empresas, institutos, câmaras municipais). Quais são as principais preocupações dos vossos associados que gostaria de realçar? JC: A APRH procura estar próxima dos seus associados e, envolvendo-os, contribuir de forma construtiva para a gestão dos recursos hídricos. Neste contexto, poderá desempenhar um importante papel na discussão dos desafios globais (adaptação climática, escassez de água, acesso a água segura), na promoção de ações relacionadas com a gestão do ambiente e dos recursos hídricos, e na reflexão segundo uma lógica integrada e circular. A APRH vai estar presente na ENERH2O 2023, em setembro. Como será a vossa participação? JC: A APRH terá o gosto de estar presente na ENERH2O 2023, promovendo uma sessão intitulada “Água: que futuro?”, com um keynote speaker e uma mesa-redonda com diversos oradores convidados. Nesta sessão, pretende-se debater diversos temas relacionados com o futuro da Água, nomeadamente adaptação climática, resposta a eventos extremos, gestão da escassez de água, inovação, desenvolvimento e tecnologia na gestão dos recursos hídricos. A associação terá ainda um espaço (stand) onde será possível conhecer os seus projetos, estabelecer contactos e explorar sinergias. De que forma eventos como a ENERH2O são necessários e podem contribuir para o setor? JC: A capacitação do setor da água, através da realização de eventos como a ENERH2O, contribuem para a divulgação de informação, para a reflexão e para a discussão sobre os assuntos de atualidade nos diferentes domínios da água, contribuindo ativamente para promoção do conhecimento técnico-científico e para a aproximação dos diferentes stakeholders.

N A T I O N A L   N E W S 

nacionais
Grupo Águas de Portugal

José Furtado, presidente do Grupo Águas de Portugal, sublinha a urgência de soluções que garantam a sustentabilidade a longo prazo. Porque “a água que temos disponível para todos os usos é só uma”, defende uma mudança nos hábitos de consumo deste recurso.

O Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e da Ação Climática já executou 122,6 milhões de euros do total de 135 milhões previstos no Plano de Recuperação e Resiliência para o Programa de Apoio aos Edifícios +Sustentáveis de âmbito residencial. 

 Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e da Ação Climática
publicação técnico-profissional

Entre janeiro e dezembro de 2022, Portugal gerou 78% de energias renováveis e 18,6% de energias fósseis. Nas energias renováveis, o setor hídrico é responsável por 40% do total, a eólica por 31% e o gás natural por 14%. 

Em 2021, registaram-se 237 milhões de metros cúbicos de perdas de água, o equivalente a um prejuízo económico de 347 milhões de euros. Segundo a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, estes valores comprometem a sustentabilidade dos serviços.

novidades e eventos sobre Engenharia e Gestão do Ambiente
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O país conseguiu reduzir em 35% as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), acima da diminuição alcançada pela União Europeia de 24%, segundo revelam dados da Pordata, divulgados por ocasião do Dia Mundial do Ambiente.

O Governo pretende criar uma estrutura para supervisionar o cumprimento das metas do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC2030), que permita “acelerar a concretização dos projetos” de energias limpas em Portugal.

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O grupo de trabalho das eólicas offshore propõem que, numa primeira fase, seja
disponibilizada uma capacidade de 3,5 Gigawats em Viana do Castelo, Leixões e Figueira da
Foz. O Governo tenciona produzir 10 GW de eletricidade nesta modalidade até 2030.

Portugal conseguiu reduzir o seu consumo de gás natural em quase 17%, o equivalente a 815
milhões de metros cúbicos, entre agosto de 2022 e maio último. A poupança significa que o
país já conseguiu superar em 21,3% a meta de 15% de redução estabelecida até ao final de
2023.

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A quantidade de água armazenada desceu em junho, em oito bacias hidrográficas e subiu em
quatro. De 57 albufeiras monitorizadas, 23 apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 10 têm disponibilidades inferiores a 40%.

O ISQ – Centro de Interface e Tecnologia estabeleceu uma parceria com a King Abdullah
University of Science and Technology, da Arábia Saudita, para troca de conhecimentos e
desenvolvimento de soluções com vista à promoção da dessalinização em Portugal.

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Em janeiro o Laboratório Nacional de Energia e Geologia indicava que 12% de Portugal Continental seria indicado para receber áreas preferenciais de energia solar e eólica. Novo mapeamento encolheu essas áreas para 3%

O Autoconsumo Coletivo (ACC) e as Comunidades de Energia Renovável (CER) estão a gerar cada vez mais interesse em Portugal. Contudo, o desafio está agora na democratização do acesso às CER, numa população ainda caraterizada pela iliteracia energética. 

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O Pacto para a Gestão da Água, plataforma de colaboração onde estão representadas várias indústrias, entidades gestoras e reguladoras e academia, vai estudar o valor económico da água em Portugal, com foco na escassez e nas políticas públicas. 

A Associação Portuguesa de Energia Renováveis (APREN) e a Direção de Energia e Geologia
querem um maior envolvimento dos municípios no licenciamento de projetos de energias
renováveis, com a promoção da sensibilização e da literacia.

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A Secretaria de Estado da Energia e Clima criou um grupo de trabalho que terá como função
propor o modelo para instalar no município de Abrantes uma “zona livre tecnológica” (ZLT)
dedicada à inovação na área da eletricidade renovável.

A Corpower instalou a sua primeira unidade à escala comercial do projeto Hiwave5, que prevê
o uso de quatro conversores de energia das ondas, próximo de Viana do Castelo. O
equipamento foi ligado à âncora do projeto e à rede elétrica nacional, através de um cabo
submarino.

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I N T E R N A T I O N A L   N E W S 

internacionais

As energias renováveis abasteceram 72% do consumo de eletricidade em Portugal, no primeiro trimestre do ano, enquanto 19% proveio do gás natural e 9% da importação. Das renováveis, a produção hidroelétrica representou a maior fatia com 34%. 

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O Governo português apresentou um conjunto de alterações às normas de supervisão ambiental, para agilizar o desenvolvimento de investimentos na área das renováveis. O objetivo é conseguir que 80% da produção energética seja proveniente de fontes renováveis até 2026.

A Iberdrola recebeu autorização para a implementação de um projeto fotovoltaico de 1.200 megawatts de potência, que será o maior da Europa e o quinto a nível mundial. A nova central a construir em Santiago do Cacém vai cobrir as necessidades energéticas de 430 mil lares. 

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Um consórcio hispano-irlandês está a projetar o primeiro parque eólico marítimo compartilhado pelos municípios de A Guarda (Galiza) e Viana do Castelo (Portugal). O investimento de 4 mil milhões de euros terá uma potência instalada de cerca de 2 gigawatts. 

O desenvolvimento do hidrogénio e da energia eólica offshore vai diminuir a dependência energética de Portugal, segundo Duarte Cordeiro, Ministro do Ambiente e da Ação Climática. Os 70% de autonomia energética alcançada pelo país acontece sobretudo no outono e no inverno. 

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energy news

O consórcio IberBlue Wind vai investir mais de 4 mil milhões de euros para criar uma capacidade combinada de 1,96 gigawatts em dois parques eólicos offshore. Com 109 turbinas e uma área de 530 quilómetros quadrados, estes parques vão poder abastecer mais de um milhão de lares.

Espanha e Portugal juntaram-se para solicitar a Bruxelas a adoção de medidas para fazer frente aos efeitos da seca na agricultura europeia. Os dois países pedem a ativação urgente do fundo de reserva de crise da Política Agrícola Comum e o aumento do adiantamento de ajudas.

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A NASA divulgou imagens que revelam as consequências da seca em Espanha e Portugal, tal como são vistas do espaço. Nas imagens, o verde de há um ano, no sul da península, dá lugar agora ao castanho, com a vegetação a evidenciar anomalias.

A posição geográfica e os seus objetivos ambiciosos de transição energética, que incluem a meta de gerar 80% da energia do país por via das renováveis, em 2026, e de atingir a
neutralidade carbónica em 2050, fazem de Portugal um mercado-chave para a indústria de
eólicas offshore.

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Portugal mais que duplicou os seus objetivos para 2030, em termos de capacidade instalada
de energia solar e eletrolisadores para produção de hidrogénio verde, ao pretender desativar
as centrais elétricas alimentadas a gás natural até 2040 e chegar à neutralidade carbónica até
2045.

Um projeto cofinanciado pela União Europeia (UE) transformou uma central hidroelétrica na
Madeira num sistema reversível, que permite aproveitar a capacidade energética, garantindo
maior disponibilidade de água. Com o projeto, o uso de energias renováveis na ilha chega a
33%.

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A REN – Redes Energéticas Nacionais já começou a adaptar a sua rede de gás natural de alta
pressão existente no país, para conseguir transportar uma mistura de 10% de combustível de hidrogénio e de gás natural.

Espanha enviou a Portugal mais do dobro da quantidade de água do Tejo estipulada no Convénio de Albufeira, assinado em 1998. O governo espanhol quer diminuir o Transvase do Tejo-Segura em 100 hectómetros anuais, o equivalente a 1,5% da água enviada a cada ano.  

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Em 2020, ano em que foi construído o parque eólico marítimo de Viana do Castelo, registou-se uma redução de 15,1% nas capturas de pescado na região. Contudo, segundo um documento, essa diminuição é similar à registada em todo o território de Portugal continental. 

O Ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, anunciou que Portugal iniciou o processo de denúncia para a saída do Tratado da Carta da Energia, em linha com uma proposta da Comissão Europeia. A proposta de resolução que materializa a saída encontra-se agora em procedimento legislativo. 

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Investigadores dizem ter conseguido atingir a supercondutividade à temperatura ambiente num composto de hidrogénio, enxofre e carbono. A confirmar-se, o avanço pode revolucionar a rede
elétrica e permitir a levitação de comboios, entre outras aplicações.

No primeiro semestre de 2023 registou-se a maior queda de sempre na produção de energias
fósseis na UE. Entre as causas estão a descida significativa da procura de eletricidade e as
medidas de emergência durante o inverno.

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O primeiro protótipo de energia solar flutuante em águas marinhas espanholas visa responder
a diferentes desafios técnicos, como o fabrico de painéis solares em materiais compósitos ou a
otimização do comportamento estrutural com conceções inovadoras.

Uma investigação realizada por especialistas de Espanha, Argentina, Equador e Chile vai
permitir que embalagens e películas alimentares possam ser produzidas a partir de resíduos
alimentares ou resinas obtidas de árvores.

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