4th ENERGY AND WATER INNOVATION & TECHNOLOGY TRADE SHOW    23 → 24 SETEMBRO 2026 . EXPONOR PAV. 2 . FEIRA INTERNACIONAL DO PORTO

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23 → 24 SETEMBRO 2026 . EXPONOR PAVILHÃO 2. FEIRA INTERNACIONAL DO PORTO

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ENTREVISTA DO MÊS

Nuno Roque, Diretor-Geral da APIRAC - Associação Portuguesa das Empresas dos Sectores Térmico, Energético, Electrónico e do Ambiente

Para Nuno Roque, a APIRAC  «dentro do seu compromisso irá continuar a apoiar os seus Associados na transição para soluções mais ecológicas, assegurando que a sustentabilidade do setor da refrigeração e da climatização é tida em consideração na legislação e regulamentações relativas à energia»

  1. Com a revisão da Diretiva do Desempenho Energético dos Edifícios, que desafios se colocam aos instaladores portugueses na substituição acelerada de caldeiras fósseis por bombas de calor?

A EPBD estabelece objetivos para a descarbonização, eficiência energética e o fim de incentivos públicos e estatais para a colocação no mercado de equipamentos e tecnologias que utilizem combustíveis fósseis. Se, por um lado, as bombas de calor são inquestionáveis enquanto tecnologia que entrega respostas múltiplas, quer em termos de eficiência no consumo com a transformação de 1 kW elétrico em 5 kW térmicos, quer em descarbonização, porque é uma tecnologia que utiliza eletricidade para o seu funcionamento, sendo esta possível de resultar de fontes ambientalmente limpas; por outro lado, as empresas do segmento de instalação são quem executará a implementação das soluções, devidamente apoiados naturalmente pelo projeto e tecnologia adequada. Mas, agora, o novo tema é segurança, já que as novas substâncias são altamente inflamáveis (hidrocarbonetos), têm pressões elevadas (CO2) e tóxicas (Amoníaco).

  1.  Perante as restrições crescentes aos gases F-Gas, como está a APIRAC a capacitar o setor para a transição para refrigerantes naturais com menor GWP (Global Warming Potential)?

A APIRAC trabalha em permanência os temas que marcam o desenvolvimento do mercado. No caso da transição dos F-Gases para as alternativas, há quatro anos que preparamos e antecipamos a nova realidade, quer do ponto de vista da evolução regulamentar e legislativa, quer das soluções que por missão e natureza da nossa responsabilidade setorial temos de disponibilizar às empresas e seus profissionais. A extensão da acreditação ao CENTERM – centro de certificações, inspeções e auditorias da APIRAC – para a certificação de profissionais em hidrocarbonetos (HCs) e dióxido de carbono (CO2), nas cidades de Lisboa e Matosinhos, é um marco evolutivo e de afirmação do setor numa nova era.

  1.  Como conciliar o aumento das taxas de renovação de ar para saúde pública com as metas rigorosas de eficiência energética e recuperação de calor?

A EPBD exige que os Estados-Membros imponham a inspeção regular dos sistemas de ventilação em edifícios de grande dimensão, a par da monitorização contínua da Qualidade do Ar Interior (QAI) e o reforço da inspeção dos sistemas AVAC. Estabelece, também, que os edifícios de emissões nulas (ZEB) e as renovações profundas garantam elevados padrões de QAI através de tecnologias como a ventilação mecânica com recuperação de calor, sensores de monitorização e sistemas de filtragem eficientes. O foco passa a ser o desempenho operacional: o edifício deve ser eficiente a manter o ar limpo.

  1.  De que forma a integração de IoT e algoritmos de manutenção preditiva nos sistemas de AVAC está a alterar o modelo de negócio das empresas do setor, passando do produto para o serviço?

Ao nível da transição digital, o mercado requer funções inteligentes para adaptação do funcionamento de sistemas e equipamentos às necessidades e, assim, reduzir o consumo de energia, o que exige software inteligente, produtos conectáveis e tecnologia de sensores que meçam a temperatura, humidade e qualidade do ar. A importância dos SACE assume um protagonismo cada vez mais evidente. Neste novo paradigma, caracterizado por crescentes exigências legais e por uma forte evolução técnica e tecnológica, a competitividade do Setor passa pela diferenciação do serviço, assumindo uma estratégia de desenvolvimento assente numa maior capacitação, assim como na cooperação das empresas com segmentos de atividade com quem se relacionam.

  1. Quais são os projetos e atividades em que a APIRAC se encontra envolvida, que gostariam de destacar?

Vivemos tempos de transformação. Há quase 10 anos, a Comissão Europeia publicou a sua primeira Estratégia de Aquecimento e Refrigeração. Desde então, o sistema energético da UE mudou. Assumiu a direção da descarbonização total, tendo em vista a neutralidade climática em 2050. A transição dos fluidos frigorigéneos sinaliza um estágio para a evolução do Setor e das suas aplicações tecnológicas, em que todo o Setor é convocado para atualizações formativas, certificação de competências adequadas às exigências e equipado para um futuro sem gases fluorados. Dentro do seu compromisso, a APIRAC irá continuar a apoiar os seus Associados na transição para soluções mais ecológicas, assegurando que a sustentabilidade do setor da refrigeração e da climatização é tida em consideração na legislação e regulamentações relativas à energia.